Enquanto o faturamento da indústria aumentou em março, os empregos no setor caíram, segundo dados divulgados pela CNI, a Confederação Nacional da Indústria nesta sexta-feira.

As receitas subiram 3,8% em relação a fevereiro e quase 10% em relação a dezembro, quando a indústria estava em queda.
É uma recuperação, mas somados janeiro, fevereiro e março deste ano a atividade ainda está abaixo do primeiro trimestre de 2025. A diferença nesse fôlego da indústria é causada pela alta da taxa de juros, explicou o Gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
"O primeiro trimestre de 2025 vinha ainda de um bom momento da demanda, que começava a perder força por conta da elevação da taxa de juros que teve início ainda no final de 2024. E essa comparação reflete muito esta perda de dinamismo da economia ligada à queda da demanda trazida pelas taxas de juros que ficaram em elevação boa parte de 2025".
As horas trabalhadas e a utilização da capacidade das fábricas subiram, mas isso significou apenas recuperação de parte das perdas do fim de 2025.
Já o emprego na indústria caiu 0,3% em março, reflexo dessa queda na atividade no ano passado, afirmou Marcelo Azevedo.
"Ainda que os resultados com relação à atividade sejam mais no campo positivo nesse início de 2026, isso ainda não se reflete no emprego. E só irá se refletir no emprego caso esses resultados de faturamento e de horas trabalhadas se sustentem por mais tempo. O emprego, ele costuma variar de uma forma mais lenta e defasada às variações na atividade. Então, ele vem refletindo o que aconteceu no final do ano passado, que foram resultados bastante negativos com relação à atividade".
Com isso a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores da indústria também caíram em março. No entanto, o acumulado do trimestre ficou maior do que no mesmo período do ano passado.
