Deputados da base do governo acionaram a Procuradoria-Geral da República para apurar se a atuação do senanor Flávio Bolsonaro junto aos Estados Unidos configura crime contra a soberania nacional. No pedido enviado, nessa sexta-feira (30), estão na mira os encontros do senador com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Marco Rubio, onde ele pediu que o país norte americano classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo a deputada Fernanda Melchionna, que assina o pedido ao lado de outros 6 parlamentares, a articulação entre o senador e os Estados Unidos prejudica o combate ao crime organizado e abre precedentes perigosos para intervenções externas no território brasileiro. Para Melchionna, Flávio extrapolou suas competências ao interferir em temas de atribuição exclusiva do governo federal.
Primeiro porque a condução das relações internacionais cabe ao governo, segundo porque contra os interesses da nação são crimes lesa-pátria, e terceiro porque a imunidade parlamentar não se aplica em casos como esse então a gente entrou com esse pedido na PGR de investigação e que as medidas cabíveis a partir daí sejam aplicadas como por exemplo a possibilidade de um inquérito contra o Flávio Bolsonaro por crimes contra a pátria".
Para tentar reverter a situação, o presidente Lula deve ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos próximos dias. A informação foi revelada pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao jornal O Globo. Durigan demonstrou preocupação com a situação e alertou, em entrevista à GloboNews, que a medida ameaça a economia brasileira, podendo gerar sanções e afetar o sistema bancário, fintechs e o Pix.
"É que pode se considerar, a partir de uma informação que chega às autoridades norte-americanas, dizendo que facções estão usando o PIX e, portanto, um ataque ao PIX, uma suspensão ao PIX, uma medida que venha de uma corte norte-americana, que constranja bancos que atuam no Brasil e que recebam pagamento com o PIX, passem a ter punições pelo mero fato de estarem dentro dessa infraestrutura, que é uma infraestrutura soberana nacional. O que é um absurdo".
Já Flávio Bolsonaro disse ontem que o presidente Lula estaria “defendendo a soberania do PCC e do Comando Vermelho”. A fala, que ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura do senador Sérgio Moro ao governo do Paraná, em Curitiba, criticou a posição do governo em relação ao combate às facções criminosas.
"Enquanto ele foi lá fazer lobby pra CV e PCC, foi lamber a bota no trânsito pra fazer lobby pra CV e PCC, pra defender marginais, nós fomos lá, pra pedir que eles fossem tratados como terroristas e auspeição".
O tema também repercutiu no Senado Federal. O senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul e presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, convocou uma reunião para o dia 9 de junho para discutir os possíveis impactos da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o parlamentar, o objetivo é reunir especialistas e representantes do Ministério da Defesa, do Itamaraty e de outros órgãos envolvidos para avaliar os efeitos da medida sobre a segurança pública, a soberania nacional e a economia brasileira. Nelsinho Trad também afirmou que não descarta uma nova atuação diplomática do Senado junto ao governo norte-americano.