Foto: Sayuri Sato/TV Cidade Verde

Um novo impasse nas negociações entre trabalhadores e empresários do transporte coletivo adiou a previsão de acordo para encerrar a crise no setor em Teresina. Diante da falta de consenso, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) convocou uma assembleia geral para a tarde desta segunda-feira (25).
De acordo com o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22), desembargador Téssio Tôrres, a divergência está relacionada ao cálculo do reajuste salarial de 5,35% destinado aos cobradores e fiscais.
Segundo o magistrado, os empresários defendem que o aumento seja aplicado sobre o valor de R$ 1.601, definido na convenção coletiva de 2025. Já o sindicato dos trabalhadores reivindica que o reajuste tenha como base o salário atual da categoria, de R$ 1.621, atualizado após o aumento do salário mínimo nacional em janeiro de 2026.
“Quando foi firmada a convenção deles no ano passado, o valor convencionado entre as partes era R$ 1.601. Só que, em janeiro de 2026, veio o aumento do salário mínimo nacional e, como nenhum trabalhador pode receber abaixo do mínimo, automaticamente quem estava abaixo foi alçado à condição do salário mínimo, de R$ 1.621. Então, neste momento do reajuste, o sindicato dos trabalhadores quer que esse percentual seja aplicado sobre o salário atual deles, que é R$ 1.621, e não sobre o valor da convenção, de R$ 1.601, que na época ainda não acompanhava o salário mínimo atual”, explicou o desembargador.
O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, afirmou que a assembleia desta segunda-feira irá definir os próximos passos da categoria.
“A gente quer convocar todos os trabalhadores, fiscais e motoristas para essa assembleia que vai acontecer hoje à tarde. Viemos aqui apenas para discutir o percentual de 5,35% sobre o salário do cobrador, mas isso não foi aceito. Eles apresentaram outras pautas que não têm relação com o tema, e fica difícil para quem está à frente do sindicato conduzir a situação quando o sindicato patronal quer praticamente extinguir a categoria. É só lucro, lucro, e não pensa no trabalhador. Tentamos de todas as formas. Agora vamos fazer uma assembleia à tarde, apresentar tudo para a categoria e, diante da decisão dos trabalhadores, vamos definir os próximos rumos”, declarou.
O empresário Solfineri Silva afirmou que o setor aguarda a aprovação da proposta pelos trabalhadores.
“A convenção do ano passado, que encerrou agora no mês de maio, tinha o valor do salário do motorista e do fiscal. Chegamos a um acordo no percentual de 5,35% e nós pensávamos que estava tudo certo, mas eles vieram com uma proposta de reajuste em cima disso. Nós já fizemos a nossa parte, todas as empresas já tiraram do fundo o que não podiam tirar, a prefeitura já deu a contribuição do subsídio e agora estamos esperando que eles fechem, através de uma assembleia, a assinatura da convenção coletiva 2026-2027”, afirmou.
Foto: Sayuri Sato/TV Cidade Verde

Os empresários defendem ainda que, em caso de ampliação da frota, não haja novas contratações de cobradores. Pela proposta apresentada, os motoristas passariam a exercer também a função de cobrança das passagens.
“Nós chegamos a um entendimento de que, se eles concordarem, a partir do aumento da frota, quando chegasse a 225 ônibus, sairia a figura do cobrador e ficaria apenas a função do motorista, como acontece em outras capitais do Brasil”, acrescentou o empresário.
O desembargador Téssio Tôrres afirmou acreditar que o impasse poderá ser resolvido após as assembleias da categoria.
“Hoje estávamos com o acordo praticamente selado em todos os seus termos, mas surgiu um pequeno impasse que acreditamos que possa ser resolvido pela categoria, especialmente pelos trabalhadores. Eles levaram essa situação para discussão e vão fazer uma assembleia hoje à tarde e outra amanhã. Nessas reuniões será tratado esse último detalhe, que é apenas a data-base do reajuste para fiscais e cobradores. Aqui no tribunal, a gente pretende apenas homologar o último termo que entendemos estar causando o impasse. Todos os demais termos já estão ajustados, inclusive o apoio da prefeitura já chegou a esse consenso. Agora, remanesce apenas essa situação, que imaginamos que possa ser concluída”, concluiu.”, concluiu.