Em entrevista à TV Cidade Verde nesta terça-feira (19), o diretor de prevenção da Defesa Civil do Piauí (Sedec-PI), o climatologista Werton Costa, afirmou que o órgão monitora as projeções que apontam para a ocorrência do El Niño em 2026. Apesar de ressaltar os impactos do fenômeno nas condições climáticas no estado, o gestor garante que não há razões para alarme no momento.
"Esse fenômeno é um velho conhecido nosso. Infelizmente o El Niño sempre quando aparece ele traz um certo transtorno, impacta a atividade econômica e os indicadores que impactam a saúde, como temperatura e umidade, mas não é nada que não tenhamos conhecimento nem preparo para enfrentar. Esse fato está sendo monitorado, ouvindo os especialistas", afirmou.
O El Niño é um fenômeno climático periódico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, com impactos diretos sobre temperaturas e regimes de chuva em diversas regiões do planeta. Em meio à circulação de postagens alarmistas nas redes sociais, Werton Costa reforça que a situação é monitorada diariamente e que há planos concretos de ação.
"O que interessa para a administração pública, que tem o dever de bem informar, servir e proteger o cidadão, é combater o rumor, impedir a disseminação de pânico e trazer a boa informação. Criou-se um pânico de algo que é monitorado todo dia [...] independente de ser fraco, médio ou forte, sempre há preparação, porque El Niño significa condições de seca e temperaturas elevadas"
Impactos esperados no Brasil
De acordo com um estudo produzido por técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño deve provocar o aumento de chuvas no Sul, a ocorrência de secas na Amazônia e no Nordeste e uma maior frequência de ondas de calor na porção central do Brasil.
A publicação enfatiza que o fenômeno não causa desastres diretamente, mas influencia as probabilidades de eventos extremos. Além disso, os autores lembram que a gravidade dos desastres depende, também, da combinação entre a vulnerabilidade e a exposição da população, e não apenas do fator climático.
Foto: Reprodução/Cemaden

No Piauí, por exemplo, uma das situações monitoradas é com a possibilidade de um aumento da ocorrência de incêndios florestais no segundo semestre. "Nossa preocupação em relação ao El Niño é o fogo, é a majoração das condições de inflamabilidade", alertou o representante”, pontuou o diretor da Sedec-PI.
Werton Costa anunciou que deve ser realizado, ainda nesta semana, uma reunião de alinhamento com as defesas civis municipais. Já para o início de junho, serão divulgados o relatório de chuvas da temporada 2026 e o prognóstico climático para o próximo trimestre.
Projeções e probabilidades
De acordo com os especialistas do Cemaden, os dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam uma probabilidade de 60% de desenvolvimento do fenômeno do El Niño para o trimestre de maio a julho, com chances que “se elevam a mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro”.
Apesar disso, o diretor da Sedec-PI garantiu que não há razões para pânico. "Nos preparamos tanto que não é um El Niño ou outro fenômeno que vai amedrontar a administração pública. Quero garantir ao piauiense que estamos monitorando o fenômeno. Ele será realmente de grande intensidade, mas o Estado está muito mais preparado que no passado, quando a gente esperava a coisa acontecer para agir", concluiu.