O sargento da Polícia Militar Leandro Vidal dos Santos, procurado por suspeita de envolvimento no assassinato de um empresário e um motociclista em 2025, já é réu por envolvimento no episódio que ficou conhecido como 'Tragédia em Milagres' - que deixou 14 pessoas mortas, entre reféns e assaltantes, durante uma intervenção policial para impedir um assalto a banco em 2018 no município de Milagres (CE).
Na última quarta-feira (27), Leandro foi um dos alvos de uma operação com 50 policiais civis e militares para cumprimento de um mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão contra quatro alvos, nas cidades de Juazeiro do Norte, Nova Olinda, Barbalha, Crato e Porteiras, no Cariri cearense. O militar não foi localizado e é considerado foragido.
A operação da Polícia Civil é relacionada a um duplo homicídio ocorrido em novembro de 2025. Na ocasião, criminosos arrombaram uma residência em Juazeiro do Norte, dispararam vários tiros e mataram um empresário de 46 anos chamado Cícero Ronaldo Nunes, o "Ronaldo do Mercantil". Além de Ronaldo, um motociclista que passava pela rua foi baleado pelos suspeitos e morreu no local.
O comerciante Cícero Ronaldo foi preso em março de 2025 por suspeita de arquitetar um plano para matar o então prefeito do município de Nova Olinda, Ítalo Brito Alencar, município no qual Leandro Vidal atuava como policial.
Na ação policial desta quarta, havia um mandado de prisão contra o sargento Leandro Vidal por participação no crime. Leandro não foi encontrado pelos policiais e é considerado foragido. O ex-prefeito Ítalo Brito, por sua vez, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
RÉU PELA 'TRAGÉDIA EM MILAGRES'
Leandro Vidal já é réu pela chamada "Tragédia em Milagres", em 2018, que terminou com 14 mortos. Na ocasião, 12 policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) chegaram ao município e atiraram contra criminosos que tentavam roubar duas agência bancárias. Porém, os assaltantes faziam reféns - que também foram atingidos.
A ação deixou 12 mortos - sendo 6 assaltantes e 6 reféns, dos quais 5 eram da mesma família. A denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) aponta que, no momento que os policiais atiraram e mataram os reféns, os assaltantes não estavam atirando, logo, não houve uma troca de tiros.
Mesmo com a ação policial, alguns criminosos fugiram. Na manhã do mesmo dia, a Polícia encontrou dois dos assaltantes fugitivos e matou os criminosos, que já estavam rendidos, segundo a denúncia. Com isso, o caso chegou a 14 mortos.
Dois policiais foram acusados de ter executado os suspeitos que já estavam rendidos - e um desses PMs era justamente Leandro Vidal. Em março de 2024, a Vara Única de Milagres determinou que 11 policiais militares, entre eles Leandro, fossem a júri por oito homicídios. O julgamento, porém, ainda não teve data divulgada.