Caminhoneiros ficam parados há 20 dias em Teresina por atraso na emissão do CIOT

Caminhoneiros ficam parados há 20 dias em Teresina por atraso na emissão do CIOT

leandro santos
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 Foto: Eduardo Costa / cidadeverde.com

Caminhoneiros ficam parados há 20 dias em Teresina por atraso na emissão do CIOT

Centenas de caminhoneiros estão com cargas retidas no Polo Empresarial Sul, em Teresina, à espera da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento obrigatório para o transporte rodoviário de cargas no país. Há relatos de motoristas parados há mais de 20 dias, enfrentando prejuízos financeiros e condições precárias de permanência no local.

O problema afeta trabalhadores de diversos estados e preocupa o setor logístico. Muitos caminhões já estão carregados, mas não podem deixar o pátio enquanto a documentação não for regularizada.

O caminhoneiro Edvaldo Ferreira, de Aracaju (SE), relata a angústia de 19 dias de espera. "Tenho minha família em casa e a gente fica quase 20 dias sem produzir nada, só tendo gastos. A empresa não oferece café, almoço, janta, nem banheiro. Se o caminhão roda, ele traz benefício; se está parado, é prejuízo total", desabafa.

A situação é confirmada por José Erivan, do Rio Grande do Norte, que está há 20 dias no local. Além da perda financeira, ele denuncia a falta de estrutura básica.

"Quando a gente fica no meio do mato, ao relento, não tem onde tomar banho. Se precisamos usar o banheiro, temos que recorrer aos pneus dos carros ou ao mato, como se fôssemos bichos. Eles têm restaurante ali dentro, mas não oferecem um prato de comida; temos que tirar tudo do bolso".

O que é o CIOT

O CIOT é o Código Identificador da Operação de Transporte, exigido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para registrar operações de frete rodoviário. O documento é utilizado para o controle do pagamento do frete aos transportadores e é indispensável para a emissão de outros documentos fiscais. Sem ele, a carga não pode circular de forma regular.

Setor aponta falhas de planejamento

Humberto Lopes, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), afirma que o cenário é de revolta e atribui o problema à precipitação do Governo Federal.

"A culpa é do governo federal, que instituiu o CIOT para fiscalizar a tabela do frete mínimo, mas não deu o tempo necessário para que as empresas se adaptassem. A ANTT não progrediu no sistema para adotar o CIOT de forma eficiente. O CIOT gera a ordem de pagamento, o manifesto e o conhecimento; sem ele, não há documento fiscal para a mercadoria circular", explica Lopes.

O dirigente destaca que a categoria solicitou um prazo maior, mas não foi atendida. "Pedimos 60 dias para que as empresas se adaptassem, mas fizeram de uma hora para a outra. O prejuízo para o empresário é enorme, mas o maior sofrimento recai sobre os motoristas, que são trabalhadores sofridos".

De acordo com relatos dos motoristas, a gerência da empresa sinalizou que a emissão dos documentos deve ser normalizada de forma gradual a partir dos próximos dias, permitindo a liberação das cargas de forma escalonada.

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