Jaques Wagner deve se reunir com Lula na próxima semana para explicar envolvimento no caso Master

Jaques Wagner deve se reunir com Lula na próxima semana para explicar envolvimento no caso Master

leandro santos
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O senador Jaques Wagner deve se reunir na semana que vem com o presidente Lula para dar explicações sobre as denúncias de envolvimento dele com o escândalo do Banco Master. O parlamentar foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero e pode perder o cargo de líder do governo no Senado.

Segundo a Polícia Federal, o senador baiano recebeu como propina do banqueiro Daniel Vorcaro um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa gerida pela nora dele.

Em uma das conversas de Jaques Wagner interceptadas pela Polícia Federal, a expressão “a altura do vão é 2,45m” foi interpretada como possível linguagem cifrada relacionada ao valor do imóvel no Poeme Horto, na capital baiana.

Além disso, o Master bancou regalias como o uso de aeronaves particulares e o ingresso para o camarote de um show da cantora Taylor Swift em Los Angeles, ao custo de R$ 63 mil.

Nos endereços vinculados ao senador do PT, os agentes apreenderam 55 mil dólares e 33 mil euros em dinheiro vivo, além de uma coleção de 13 relógios de luxo. Os valores equivalem quase R$ 500 mil.

O senador é suspeito de ter atuado a favor do Master na ampliação do crédito consignado; no aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos; e no acompanhamento da tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília.

Segundo a Polícia Federal, o ponto de conexão de Jaques Wagner com o Master se dava por meio do ex-sócio de Daniel Vorcaro, o empresário baiano Augusto Lima, que também foi alvo da operação de ontem. Ele chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero e depois foi solto com tornozeleira eletrônica.

Augusto Lima é dono do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em fevereiro.

Em entrevista à BandNews, o senador Jaques Wagner negou que tenha recebido propina e disse que o apartamento nunca foi dele. O senador Jaques Wagner também afirmou que o dinheiro em espécie apreendido em endereços dele corresponde a diárias oficiais pagas pelo Senado.

Segundo a Polícia Federal, os repasses de R$ 3,5 milhões para Jaques Wagner saíram de uma empresa dirigida por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima, para a BN Financeira, ligada ao núcleo familiar do senador.

Uma das sócias é Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado de Jaques Wagner, Eduardo Mendonça Sodré, secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia. Os dois também foram alvo da operação desta quinta-feira
Segundo a investigação, Eduardo cobrava Augusto Lima sobre os pagamentos. Em uma mensagem de setembro de 2025, Eduardo afirma: “Amanhã vencem os boletos e são altos”.

O senador Jaques Wagner disse que recebeu a solidariedade do presidente Lula e quer continuar na liderança do governo no Senado. O deputado Rogério Correia, do PT, defendeu o afastamento imediato de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado.

Outros governistas, como o líder no Senado, Randolfe Rodrigues; e os ministros Dario Durigan, da Fazenda, e José Guimarães, das Relações Institucionais, saíram em defesa do direito de explicação do senador. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se manifestou a favor de Jaques Wagner.

Durante um evento em São Paulo, o pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, comemorou a operação contra o líder do governo.
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