Depois de passar dois meses em negociações que não deram resultado, a Polícia Federal quer acelerar as negociações para um novo acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A corporação pediu ao ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero no STF, que o magistrado estabeleça um limite para a permanência dele nas dependências da superintendência da corporação. Na semana passada, depois de rejeitar o primeiro acordo, a PF voltou atrás e disse ainda estra aberta à colaboração.
Segundo a colunista do Jornal o Globo, Bela Megale, a defesa dele trabalha agora com o prazo de duas semanas para apresentar a nova proposta de delação. Apesar de ter aceitado retomar as conversas, não houve ainda assinatura do chamado termo de confidencialidade, que é o primeiro passo para a formalização da delação premiada.
A avaliação dos investigadores é que a proposta inicial de Vorcaro não trouxe elementos novos nem provas consideradas robustas para justificar os benefícios de um acordo de colaboração. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República esperam que a nova versão apresente informações inéditas e detalhadas sobre o esquema investigado, como explica o advogado criminalista Vitor Sampaio, especialista em cortes superiores.
A pressão por uma definição rápida acontece porque a PF teme que as negociações se arrastem, novamente, sem resultados concretos. Nos bastidores, investigadores avaliam que uma eventual delação pode sim atingir políticos e operadores financeiros citados ao longo das apurações do caso master. Só que até o momento, o material apresentado pelo banqueiro foi considerado muito ruim. A avaliação é que a investigação poderia caminhar por pernas próprias, com base no que já foi obtido nos celulares apreendidos de Vorcaro.
Havia ainda uma divergência sobre o pagamento da indenização. O ex-dono do Master teria oferecido cerca de 40 bilhões de reais, mas os valores foram considerados baixos e havia dúvidas sobre como a devolução seria realizada.