Estudantes e professores realizaram na manhã desta quinta-feira (25) uma aula pública em protesto ao fechamento de cursos de licenciatura no campus da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), Clóvis Moura, no bairro Dirceu, zona Sudeste de Teresina. A manifestação foi de forma pacífica durante toda a amanhã de hoje em frente a reitoria da Uespi.
A Uespi, através da Assessoria de Comunicação, informou ao Cidadeverde.com que a pauta em questão foi amplamente discutida nos Conselhos Superiores da Universidade que deliberaram pela fusão dos cursos. A administração da instituição pontuou que os Conselhos tem representatividade de todos os segmentos da universidade e que se posicionar contra a decisão dos Conselhos é afrontar a democracia da própria universidade.
Desde dezembro de 2024, o Conselho Universitário da Uespi decidiu transferir cursos de licenciatura do Clóvis Moura para o campus Torquato Neto, no bairro Pirajá, na zona Norte de Teresina. A decisão afetou cinco cursos de licenciatura de pedagogia, história, matemática, geografia e letras, afetando cerca de 500 estudantes. Na época, a reitoria alegou falta de professores e unificação de cursos.
O professor da Uespi, Jânio Abreu, disse que desde de 2025 a Uespi está deixando de ofertar os cursos no campus, resultando em redução de ingresso no ensino superior.
“Já fizemos vários atos e a ideia é sensibilizar a comunidade acadêmica e ressaltar que o campus Clóvis Moura está em uma região com maior concentração de escolas por quilômetro quadrado e prejudica o acesso aos estudantes, principalmente de família vulnerável”, disse.
O professor de história do campus Clóvis Moura, Pedro Pio, fez um relato sobre as incertezas que vivem os professores e alunos e que a decisão é prejudicial para docentes, estudantes e comunidade do Dirceu e região. No ato, ele propõe a oferta de bolsas em parceria com o governo federal para manter alunos na universidade e que a Uespi oferte vagas sem exigência do vestibular, uma política já adotada na instituição, para atrair alunos para turmas reduzidas.
A estudante Vitória Caroline Bezerra, 22 anos, do curso de pedagogia do campus do Dirceu classificou a decisão como “irresponsável” e que afeta mais os estudantes carentes. Ela crê que haverá aumento de evasão, devido a dificuldade de transporte para acessar ao campus Torquato Neto.
O professor Omar Mário Albornoz, coordenador-geral da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), participou do ato e informou que a instituição ingressou com ação na justiça para barrar os fechamentos dos cursos.













