O Brasil ameaça retaliar os Estados Unidos pela nova tarifa de 12,5% que entrou em vigor na madrugada desta sexta-feira (24). Outras 59 economias também foram taxadas, com porcentuais que começam em 10%.
No caso brasileiro, como a nova cobrança se sobrepõe à tarifa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira, a carga tributária sobre diversos produtos atinge 37,5%.
O governo Trump alegou que a punição se baseia em investigações sobre falhas na legislação brasileira para combater a importação e comercialização de bens produzidos com trabalho forçado. A Casa Branca argumenta que a falta de rigor na fiscalização gera concorrência desleal para os trabalhadores e produtores americanos nas cadeias globais de suprimentos.
O governo brasileiro rechaçou a decisão americana e acusou a Casa Branca de manipular uma pauta de direitos humanos sem base legal para impor protecionismo comercial.
O Palácio do Planalto anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade contra produtos dos Estados Unidos, além de acionar a Organização Mundial do Comércio. Mas apesar das ameaças de retaliação, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, ponderou que o governo ainda estuda o momento adequado para adotar a reciprocidade.
A Confederação Nacional da Indústria e a Amcham defenderam a manutenção do diálogo diplomático com Washington e alertaram que a aplicação de retaliações pode agravar a disputa comercial e prejudicar o ambiente de negócios.
Cálculos da Câmara Americana de Comércio indicam que o acúmulo das tarifas atingirá mais de dez bilhões de dólares em exportações anuais do Brasil.
Setores de calçados, máquinas, equipamentos, peças automotivas, confecções, químicos e produtos derivados da madeira estão entre os mais impactados, perdendo competitividade imediata no mercado norte-americano.
Por outro lado, o governo americano manteve uma lista de isenções gerais que livrou mais de dois mil itens do novo tarifaço. Entre os principais produtos agrícolas e primários da pauta exportadora brasileira preservados da cobrança de 12,5% estão o petróleo, carne bovina, café e o suco de laranja.