O governo federal vai lançar nos próximos dias um reforço emergencial no programa Brasil Soberano para socorrer os exportadores afetados pelo novo tarifaço dos Estados Unidos. O plano oferecerá linhas de crédito facilitadas, com prioridade para as indústrias de máquinas e equipamentos, madeira e móveis, por exemplo.
O ministro da Fazenda explicou que o governo vai ouvir os setores econômicos atingidos nos próximos dias para definir o montante financeiro a ser injetado. Dario Durigan estimou que o custo do apoio será menor do que os R$ 30 bilhões oferecidos na primeira versão do plano, lançada em agosto do ano passado.
Pelos cálculos atualizados do Ministério da Indústria e Comércio, a barreira de 25% imposta por Washington deve atingir 18% da pauta de exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
A Confederação Nacional da Indústria projeta perdas maiores, de até onze bilhões de dólares.
O vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que o tarifaço é injusto, descabido e uma interferência externa indevida. Alckmin confirmou que a equipe econômica apresentará ao presidente Lula a opção de aplicar a Lei de Reciprocidade, retaliando produtos importados dos Estados Unidos.
Para conter os danos à atividade nacional, o vice-presidente destacou que o governo vai apresentar um plano de socorro aos setores afetados.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rechaçou os ataques do secretário de Estado americano ao presidente Lula. Marco Rubio acusou o chefe do Executivo brasileiro de não negociar com os Estados Unidos de boa fé e colocar o próprio ego acima de um acordo.
A equipe econômica também acompanha com apreensão o prazo de 23 de julho, quando os Estados Unidos devem impor uma tarifa global de doze e meio por cento sob a alegação de falha no combate ao trabalho forçado.
A nova tarifa elevaria a tributação de alguns produtos nacionais para mais de 37%.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai continuar negociando, sem permitir interferência na economia e na soberania do país.