Líder do PL na Câmara aparece como um dos autores das emendas apadrinhadas por Valdemar Costa Neto

Líder do PL na Câmara aparece como um dos autores das emendas apadrinhadas por Valdemar Costa Neto

leandro santos
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O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, aparece como um dos autores de emendas parlamentares que foram apadrinhadas pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto.


Segundo a Polícia Federal, o esquema desviou quase R$ 120 milhões. Também aparecem como padrinhos fictícios das verbas os deputados Luiz Carlos Motta, do PL de São Paulo, e Capitão Alden, do PL da Bahia.


Valdemar Costa Neto teve mais de R$ 119 milhões em bens bloqueados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.


O dirigente do partido do pré-candidato Flávio Bolsonaro é suspeito de montar um esquema clandestino para direcionar verbas do orçamento federal, mesmo sem exercer qualquer mandato no Congresso Nacional.


A Polícia Federal apontou que o esquema funcionava por meio de um arranjo paralelo envolvendo três servidores da Câmara dos Deputados ligados ao Centrão.


Mensagens interceptadas revelam que o grupo organizava planilhas informais e tratava as emendas públicas como se fossem cotas privadas para atender aos interesses de Valdemar.


Para conferir ares de legalidade ao repasse do dinheiro, deputados federais do PL eram falsamente registrados como os "solicitantes" formais dos recursos.


A investigação detalha que as vinte e uma emendas fraudadas foram carimbadas entre junho de 2024 e março deste ano, a maior parte destinada ao Ministério do Turismo.


A decisão é um desdobramento de uma operação de dezembro de 2025 e que teve como alvo a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.


O arranjo contava ainda com a atuação dos servidores Nara Brum e Garigham Amarante Pinto.


Em 25 de agosto 2025, Garigham Amarante escreveu para Mariângela: “Marquei com o Valdemar amanhã dez e meia. Acho que ele vai jogar no turismo os vinte e quatro. Pode ser?”.


No dia seguinte, ele cobrou: “Fechou o valor do Presidente Valdemar?”, e ela respondeu: “Se puder trocar tudo turismo, ótimo”. Garigham então liquidou: “Vinte e quatro milhões tá bom”. Horas depois, Garigham avisou Mariângela: "Voltei do VCN", sigla que a Polícia Federal aponta como referência a Valdemar Costa Neto, enviando uma lista de municípios beneficiados.


Dois dias depois, a servidora Nara Brum enviou uma planilha intitulada “Alteração em Turismo - VCN”.


Do montante sob suspeita, R$ 104 milhões já haviam sido integralmente pagos pelo governo federal a municípios indicados por Valdemar Costa Neto.


Em nota oficial, a defesa de Valdemar Costa Neto rebateu as acusações e criticou o bloqueio dos bens, alegando que a decisão se apoia em premissas frágeis.


Os advogados sustentam que é legítimo que um presidente de partido dialogue com sua bancada e influencie o destino de emendas.


Durante um evento político em Fortaleza, o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, acusou o governo Lula de usar a Polícia Federal para perseguir adversários.
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