Um encontro do ministro Alexandre de Moraes e a cúpula da Polícia Federal nesta semana, após o primeiro turno das eleições, gerou um novo clima de tensão e desconfiança no Supremo Tribunal Federal, entre os ministros mais alinhados a Bolsonaro.
Segundo fontes da Corte, o episódio foi considerado o estopim para que o ministro Luiz Fux pedisse acesso integral aos autos do inquérito das fake news e de outros três processos relacionados.
A informação é da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e foi confirmada à CBN por fontes do Supremo.
A presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do diretor da Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, causou estranheza entre integrantes da Corte.
Até o momento, não há informações sobre o objetivo da reunião ou os assuntos discutidos.
Segundo relatos de interlocutores do Supremo, depois do encontro, Moraes teria ido conversar com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Uma ala dos ministros classificou a reunião como incomum.
Uma fonte do Supremo ouvida pela CBN afirmou que não é habitual um diretor de Inteligência da Polícia Federal se reunir com um ministro do STF e avaliou que o encontro não teria justificativa processual.
Integrantes próximos à ala ligada ao ministro André Mendonça passaram a temer que esteja em andamento alguma iniciativa para retomar o controle do inquérito das fake news.
Desde 9 de setembro, o inquérito está sob o controle do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.
Após a reunião de Moraes com os três principais diretores da PF, Fux determinou que a Secretaria Judiciária do STF forneça, em até 48 horas, acesso integral e eletrônico aos autos sigilosos dos inquéritos das Fake News e das Milícias Digitais, além de petições que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL.
A determinação foi tomada em um processo movido pelo Progressistas.
Em 2024 o partido questionou um despacho de Alexandre de Moraes que determinou que uma representação da Polícia Federal fosse registrada como uma petição separada e sigilosa.
As apurações relacionadas à medida deram origem à Operação Tempus Veritatis, que alcançou 23 investigados, entre eles Jair Bolsonaro.
A operação investigou uma suposta tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente.
