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16 de abr. de 2021

Ex-secretário integraria núcleo que pagou R$ 100 mil para espalhar fake news

 Fotos: Roberta Aline

O jornalista investigado por disseminar fake news contra políticos e um juiz no Piauí recebeu aproximadamente R$ 100 mil em um período de um ano e meio. A informação foi divulgada em coletiva delegado Anchieta Nery, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), nesta sexta-feira (16). Para a Polícia Civil do Piauí, o jornalista- que fez uma confissão qualificada- é considerado o executor do esquema criminoso que seria chefiado por grupos políticos adversários, incluindo o ex- secretário de Governo do município de Valença, no interior do Piauí, com o intuito de confundir a opinião pública e manipular as eleições em 2020. 

"Foi um ano e meio de investigação. No início de 2020, a Polícia Civil observou uma série de ocorrências contra a honra de algumas autoridades do Piauí, entre membros dos poderes executivo, legislativo e judiciário", disse Nery. 

AUTORES INTELECTUAIS

Até o momento, seis pessoas quem compõem o núcleo responsável pela disseminação das notícias falsas já foram identificadas. Há também a participação de pessoas de outros estados responsáveis pela contratação do jornalista.

O delegado esclarece que é preciso diferenciar liberdade de expressão, crítica administrativa e opinião, que sempre serão respeitadas no estado democrático de direito, com ataques criminosos financiados contra a honra de agentes políticos. 

Anchieta Nery diz que há elementos de provas que comprovam a participação de secretários municipais de Valença, que exerciam cargos no ano passado. Durante o interrogatório, o jornalista fez uma confissão qualificada , ou seja, confessou o crime e apontou elementos para corroborar a confissão.

"Ele apontou o então secretário de Governo de Valença como o autor intelectual dos ataques à honra das autoridades de Valença que ocorreram em 2020. Entre os valores de municípios e de outros entes, a gente apurou que no período investigado, ele recebeu R$ 100 mil", disse o delegado. 

Entre as vítimas, oficiais da Polícia Militar, um juiz de Valença que desempenhava a função eleitoral, deputados estaduais e federais, além do governador do Piauí Wellington Dias. 

 

ATAQUES ERAM FINANCIADOS COM DINHEIRO PÚBLICO

A investigação aponta que o jornalista era financiado com dinheiro público para disseminar os ataques. Segundo o delegado, ele tem um site e em 2019 abriu uma empresa para receber recursos públicos da prefeitura de Valença, no interior do Piauí. 

"Recebeu valores em 2020. Eram valores que sempre ficavam abaixo do limite para realizar uma licitação por supostas divulgações de ações da prefeitura. Além desses recursos públicos, ele também receberia valores privados do grupo político que estava à frente da prefeitura. Estamos falando de uma série de vítimas, em um contexto na região de de Valença e Teresina, tem mais de um grupo político que se valeu dessa máquina de difamação", disse o chefe da investigação. 

O jornalista não foi preso por não haver base legal, por se tratar de crime sem lesão ou grave ameaça e que cessou com o fim do pleito municipal. Novos investigados ainda serão interrogados. 

Os suspeitos, na medidas das culpabilidades, devem responder por calúnia, difamação, injúria qualificadas, além crimes relacionados à execução irregular da despesa pública por não atendimento de algumas normas da lei de responsabilidade fiscal. 


UM CELULAR, CENTENAS DE MENSAGENS

Anchieta Nery explica que usando apenas um celular, o jornalista disparava centenas de mensagens por o WhatsApp, além de postagens pelo Facebook com mais de 15 mil seguidores.

"O suspeito (jornalista) que executava a disseminação de crimes conta a honra desses atores eleitorais detinha páginas no Facebook com até 15 mil seguidores, estava inserido e administrava centenas de grupos de WhatsApp e esse movimento, muitas vezes, servia para manipular a opinião pública. Até aí, a gente não teria um crime, mas quando eu uso toda essa máquina de disseminação para atacar a horna de um cidadão ou uma família, seja agente público ou não, tenha mandato ou não, que esteja no exercício da função como é o caso do juiz de Valença, é inadmissível que a gente possa entender isso como algo comum nas eleições", explica Nery. 

O chefe da investigação alerta para que a população "não encare, sempre como verdade, algo que vê na tela do celular". 

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

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