As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, deixaram pelo menos 16 mortos e 440 pessoas desabrigadas. Máquinas pesadas e equipes do Corpo de Bombeiros atuam desde as primeiras horas nas áreas mais atingidas. Há ruas interditadas, pontes que ligam bairros ao centro fechadas, muitas árvores caíram. A prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal diante da gravidade da situação. O volume de chuva impressiona nas últimas 24 horas. Segundo a Defesa Civil municipal, a região central da cidade chegou a registrar 90 mm em 3 horas. Fevereiro já é o mês mais chuvoso da série histórica no município. O recorde anterior ocorreu em fevereiro de 1988. A prefeita Margarida Salomão declarou estado de calamidade pública: 

"O Rio Paraibuna saiu da calha, o que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. Então é uma situação de calamidade. Então, por essa razão, eu, neste momento, estou decretando o estado de calamidade pública no município de Juiz de Fora. Isso permite que nós recebamos recursos federais e estaduais, recursos humanos, recursos materiais para nos alcançar nessa grave situação sob a nossa coordenação", relata.
As entidades de Defesa Civil, Segurança e Saúde do município e do estado estão empenhadas nos atendimentos. O Coronel Rezende, da Defesa Civil estadual, confirmou essa mobilização para atender às vítimas e ressaltou a importância de a população evitar os locais de risco:
"Faremos tudo o necessário para dar todo o suporte aos municípios da região. É importante a gente deixar aqui o nosso pedido para, em qualquer situação envolvendo risco de deslizamento de terra, de inundação, que as pessoas não se exponham. Verificando algum risco aí, sair imediatamente e procurar um local seguro", alertou.
Para reforçar o atendimento em Juiz de Fora, o Corpo de Bombeiros deslocou 22 militares de Belo Horizonte para a Zona da Mata mineira. As equipes vão atuar em apoio aos bombeiros da região, inclusive com o emprego de três cães de busca, ampliando as ações de resgate e a procura por vítimas sob escombros. A instabilidade do tempo, no entanto, ainda segue sendo uma preocupação. O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) mantém o alerta para temporais até sexta-feira, como detalha o meteorologista Lizandro Gemiacki.
"Toda essa divisa entre Minas, Rio e Espírito Santo, a gente pode ter acumulados muito significativos de chuva pelo menos até sexta-feira. Uma condição de muita instabilidade atmosférica, né, uma região de baixa pressão que favorece o desenvolvimento de nuvens muito constantemente. E essas nuvens, tanto elas podem ser aquelas chuvas mais contínuas, né, como aquelas pancadas mais de fim de tarde e noite, que podem vir acompanhadas de rajadas de vento, de raios e trovões", diz.
Em nota, o governo de Minas manifestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas dos fortes temporais que atingem Juiz de Fora e também Ubá, municípios da Zona da Mata mineira. O governador Romeu Zema confirmou o decreto de luto oficial de três dias em todo o estado.
