Brasil bateu recorde de feminicídios em 2024 e 2025

Brasil bateu recorde de feminicídios em 2024 e 2025

leandro santos
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Rio de Janeiro (RJ) 25/11/2023 – Protesto com pares de sapato representando mulheres vítimas de feminicídio, em Copacabana, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

O Brasil atingiu recorde de vítimas de feminicídio em 2025 e 2024, com 1.518 e 1.458 vítimas em cada ano. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O percentual das mulheres que declararam ter medo de sofrer estupro também cresceu, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva. Os dados foram antecipados com exclusividade nesta segunda-feira (2/3) pela Agência Brasil. Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter "muito medo de ser vítimas de um estupro". Esse percentual subiu para 82% em 2025.

Além disso, de acordo com a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, o maior levantamento sobre o tema no país, divulgado em dezembro do ano passado, quase metade das mulheres brasileiras não se sente tratada com respeito, tanto em casa, quanto no trabalho e nas ruas.

Entre os principais tipos de violência contra a mulher estão a física, psicológica, patrimonial e sexual, todas elas tipificadas na Lei Maria da Penha, um dos principais instrumentos nessa luta.

Solange Pires Revoredo, idealizadora do GRAM, Grupo de Apoio à Mulher, sofreu várias dessas violências do ex-marido durante 15 anos. As agressões impactaram não somente sua vida pessoal, mas também de toda a família.

“O mais novo teve crise de ansiedade e o mais velho teve enurese noturna até os 17 anos, que é o xixi na cama, mas hoje eles estão bem, fazendo a devida terapia. De alguma forma também atingiu o resto da minha família, né? Minhas irmãs, porque indiretamente presenciaram algumas violências, né? E isso acaba comprometendo, o psicológico das pessoas que presenciam”.

Para se proteger dos abusos, Solange recorreu à Lei Maria da Penha e conseguiu medida protetiva. Com o Grupo, agora ela ajuda outras mulheres que passaram pela mesma experiência, com medidas como apoio psicológico, jurídico e social gratuitos. A iniciativa começou pequena, com um site onde Solange disponibilizava informações sobre como combater a violência contra a mulher.

“Daí começou as mulheres a pedirem ajuda na página, e aí a gente criou o primeiro grupo, que foi de cinco pessoas, que eu tenho contato com elas até hoje, que foram cinco mulheres vítimas de violência e quem já tinha passado por aquela situação passava experiência para outra”.

A coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina, Silvana Mariano, destaca que o aumento dos casos está relacionado, além do crescimento da própria violência em si, a uma maior conscientização das mulheres sobre os comportamentos abusivos nas relações e à redução das subnotificações.

“Aumenta porque nós estamos normalizando na sociedade brasileira atos, condutas, valores, práticas que são de discriminação, de preconceito contra as mulheres. Isso resulta em um cotidiano violento com as mulheres e parte dessa violência deságua nos casos de feminicídios, sejam consumados ou tentados”.

Já a pesquisadora sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Manoela Miklos, chama a atenção para a masculinidade tóxica ainda muito presente na sociedade.

“Existe uma coisa que é com efeito rebote ao movimento feminista, ao movimento de mulheres. Existe uma reação de um tipo de masculinidade que deseja de volta os seus privilégios e que fica desnorteado frente às conquistas das mulheres. Homens que desejam o status quo ao invés da transformação social”.

A violência contra a mulher pode ser denunciada pelo serviço 190 da Polícia Militar; pela Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180; pelo Disque Direitos Humanos, Disque 100; e pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

*Com sonoplastia de Jailton Sodré e produção de Dayana Vitor.
 

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