Lula se reúne com Trump nos EUA nesta quinta (7), após meses de negociações diplomáticas

Lula se reúne com Trump nos EUA nesta quinta (7), após meses de negociações diplomáticas

leandro santos
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Depois de meses de negociações diplomáticas, o presidente Lula vai se reunir nesta quinta-feira (7) com o líder americano Donald Trump nos Estados Unidos. O chefe do Executivo brasileiro passou a noite na residência oficial da embaixadora do Brasil em Washington e vai esta manhã para a Casa Branca.

A conversa com Donald Trump está prevista para começar logo depois do meio-dia, pelo horário de Brasília. O encontro é classificado como "visita de trabalho", modalidade mais objetiva e discreta do que uma visita de Estado.

Diferentemente de cerimônias oficiais com jantar de gala e honras militares, o encontro será concentrado em negociações bilaterais e conversas reservadas no Salão Oval. A comitiva de Lula indica que os dois líderes devem discutir parcerias estratégicas em minerais críticos e terras raras; o combate ao crime organizado; a eliminação total das tarifas; e investigações sobre o PIX.

O último a integrar a equipe foi o ministro de Minas e Energia, Alessandro Silveira.

A questão das terras raras é estratégica para os Estados Unidos porque o Brasil concentra a segunda maior reserva dos minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética, indústria de defesa e a produção de tecnologia.

Na reunião, Lula deve citar o projeto aprovado nesta quarta-feira (6), na Câmara dos Deputados, que cria o Marco Legal para Minerais Críticos. A lei estabelece as regras de exploração de elementos como lítio, cobalto, nióbio, grafite e terras raras.

O projeto prevê a criação de um conselho para gerir os recursos e avaliar risco o risco geopolítico e econômico de parcerias internacionais. O projeto limita a exportação de materiais brutos, e cria incentivos fiscais para empresas que invistam no beneficiamento e exportação de produtos com maior valor agregado.

Para destravar os investimentos no setor, o texto cria um fundo de R$ 5 bilhões, com recursos públicos e privados. O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que a lei vai guiar o Brasil na exploração dos minerais críticos e proteger a soberania nacional.

Em entrevista à Globonews, o professor de Relações Internacionais do IBMEC do Rio de Janeiro, José Niemeyer, disse que Lula deve usar o Marco Legal dos Minerais Críticos na reunião com Trump para mostrar a importância estratégica do Brasil.

Outro assunto que deve ser prioritário na reunião é a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Para isso, terá a presença do ministro da Justiça e do diretor-geral da Polícia Federal na comitiva de Lula.

O governo americano vem considerando a possibilidade de classificar as facções criminosas brasileiras como PCC e Comando Vermelho como "organizações terroristas". O Itamaraty resiste à ideia e prefere focar na cooperação técnica para repressão à lavagem de dinheiro e tráfico de armas. O governo brasileiro teme que a mudança resulte em ingerência e sanções.

Nessa quarta, Trump aprovou uma nova estratégia antiterrorista que estabelece a eliminação dos cartéis de drogas como a prioridade do governo.

Para discussões na área econômica, Lula levou os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Apesar do recuo de Trump sobre o tarifaço, o Brasil está sendo investigado com base na seção 301 da Lei de Comércio americana.

Os Estados Unidos investigam, por exemplo, se o PIX cria um monopólio estatal que prejudica empresas americanas de cartões e pagamentos como Visa, Mastercard e PayPal. Antes de deixar o Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que Lula vai contestar as alegações americanas contra o sistema de pagamento instantâneo brasileiro.
Fonte CBN

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