Trader foragido é suspeito de golpe de R$ 440 milhões; delegado detalha caso

Trader foragido é suspeito de golpe de R$ 440 milhões; delegado detalha caso

leandro santos
0

 Foto: Reprodução / TV Difusora

operacao_extrema_confianca_2.jpeg

Dois braços operacionais, com captação de clientes, do trader Francisco das Chagas, conhecido como Chico, foram presos durante a operação “Extrema Confiança”, deflagrada na segunda-feira (22), no Piauí e Maranhão. O grupo é suspeito de aplicar um dos maiores golpes de pirâmide financeira no estadoChico já é considerado foragido. 

Responsável pelo inquérito, o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), afirmou que as vítimas chegaram a investir R$ 1 milhão na empresa acreditando que teriam retorno. A polícia conseguiu verificar transações suspeitas para pessoas físicas e jurídicas. Ao todo, foi feito bloqueio mais de R$ 14 milhões. 

"As vítimas depositaram valores de toda uma vida nesse empresa. O golpe é considerado, do ponto de vista de movimentação financeira, o maior já praticado no estado do Piauí no motante de R$ 440 milhões. Nessa segunda fase chegamos na parte financeira do golpe. Na primeira fase fizemos buscas com oitivas de 50 a 60 pessoas e agora estamos na segunda fase. é um golpe que nos chamamos de esquema Ponze, uma variação da pirâmide financeira. As pessoas que entram estão na base da pirâmide financeira sustentam todo golpe. É preciso que entre cada vez mais pessoas para que os valores sejam repassados como rendimentos para antigos investidores. No momento em que a base para de receber novos investidores é o momento que a pirâmide desmorona", explica o delegado. 

A estimativa é de que o golpe tenha feito cerca de 300 vítimas no Piauí e no Maranhão e movimentado mais de R$ 440 milhões entre créditos e débitos somados ao longo de dois anos. Uma das prisões temporária foi realizada em São Luís, no Maranhão, onde o suspeito se escondia a pelo menos 1 ano. Ele era responsável por conseguir mais de 70% dos clientes da empresa. 

“Ele estava escondido aqui com medo tanto das vítimas que procuravam por ele, foram 300 vítimas, é uma circulação de um grande valor, falso investimento, pirâmide financeira, prometia lucros exorbitantes, as pessoas acreditando nessa conversa, investiam esses valores e uma hora a bolha estourou. Não tiveram mais dinheiro para ressarcir as vítimas e geraram as denúncias”, cita o delegado Humberto Macola, titular do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

Leia também

Celulares e notebooks foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados. A outra prisão foi realizada em Teresina, no Piauí. Segundo o delegado Humberto Macola, responsável pela prisão em São Luís, o grupo aplicava o esquema de pirâmide.

“Não acredite em investimentos exorbitantes com lucros exorbitantes, com certeza é pirâmide financeira. Eles criam uma empresa de trader, na empresa mostram ganhos exorbitantes colocam depoimentos de pessoas que ganharam também, prometem 10%, 12%, 15% ao mês do investimento, começam a angariar essas pessoas, pagam essas pessoas com o dinheiro que é investido e mais pessoas são chamadas e atraídos achando que ali irá gerar esse lucro, que na verdade não acontece e os valores ficam perdidos”, explica o delegado.

Foto: Reprodução / TV Difusora

operacao_extrema_confianca_1.jpeg

Segundo o delegado-geral da PC-PI, Luccy Keiko, as investigações identificaram indícios robustos da participação desses três indivíduos em crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. “Vendiam um rendimento exorbitante, que não corresponde à realidade. Não pagavam os rendimentos e iam lesando várias vítimas”, informou a autoridade policial.

A expectativa é que, após a operação, o inquérito do caso siga para a fase de conclusão. “Com a elaboração do relatório final, será formalizado o indiciamento dos envolvidos e a capitulação dos crimes praticados. O montante total desviado pelo esquema segue em análise, e os detalhes contábeis serão divulgados assim que a auditoria for finalizada”, informou o delegado-geral.

Traider segue foragido

Segundo o delegado em março de 2025, o esquema começou a ruir. Na época, Chico alegou que havia tido contas bancárias bloqueadas. Depois disso, ele passou a não pagar alguns rendimentos, o que futuramente levou a enxurrada de denúncias à polícia.

Em julho de 2025, Chico prestou depoimento por vídeoconferência e alegou que estaria a disposição. Na época foi pedido bloqueio das contas, mas não havia dinheiro na conta.

"O principal investigado, conhecido como Chico, é o socio-administrador da empresa Extreme. Ele foi ouvido no começo da investigação e a gente conseguiu algumas informações porém ele foi ouvido em vídeoconferência. Ele alegava que não se apresentou naquele momento porque temia por sua integridade física, pois haviam vários investidores, segundo ele, estavam ameaçando e poderiam fazer algo. Ele foi ouvido, alegou que estava em Portugal e a disposição da polícia. Com o andar da investigação vimos que a empresa que ele montou era de fachada, uma empresa que funcionava para angariar valores de terceiros que acreditavam fielmente que estavam investindo em uma empresa legítima e que teriam um retorno de até 10%, o que era improvável", finaliza o delegado Luciano Alcântara. 

Postar um comentário

0 Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Tá bom, aceito!) #days=(20)

Aceite nossos termos de uso para melhor experiência! Leia aqui
Ok, Go it!